Discurso proferido, na qualidade de Paraninfa da Acadêmica Eloá Muniz, que, no dia 20/11/2005,
Recentemente, ao fazer uma palestra so
Acabei afirmando que essa igualdade de fachada foi alcançada em 1988, com a Constituição Federal. Após debulhar toda a nossa difícil trajetória, uma senhora levantou-se e afirmou que a mulher sequer tinha acesso à educação. Não podia aprender a ler, como havia sido o seu caso, para ?não escrever carta para os namorados?.
Só aí é que percebi quão perversa foi a submissão a que foram subjugadas as mulheres. Não bastou impor-lhes a naturalização da maternidade como um instinto, como uma missão sacralizada para a qual são adestradas desde o nascimento. E tudo isso só para o homem ter certeza de sua descendência, ou seja, de que os filhos de sua mulher são realmente seus filhos.
Assim, foi criado o mito da virgindade - símbolo de pureza e castidade - como o maior atributo feminino a ser defendido e preservado mais do que a própria vida, tanto que nem Maria, para dar à luz o Salvador, deixou de ser imaculada. E, para confinar a mulher dentro de casa e convencê-la de que isso era o melhor para ela, disseram-lhe que ela era a rainha do lar.
Assim, o casamento era o único destino das mulheres, que com ele sonhavam desde o nascimento e para ele se preparavam desde sempre. Suspiravam pelo príncipe encantado. Para isso, mantinham-se puras e recatadas. Eram educadas para obedecerem ao senhor seu marido. Passavam da condição de filha para a de mães.
Aliás, a simbologia do casamento bem retrata isso: a noiva, vestida de
Depois de casadas, a sua única tarefa era cuidar da casa, servir ao marido e criar os filhos. Ora, para isso não precisava estudar, bastava aprender a tocar piano, bordar e ser boa dona-de-casa.
A condição de absoluta submissão a que sempre foram submetidas as mulheres fez com que todos os temas femininos ficassem submersos. Como as mulheres não tinham direito à educação, não havia como seu universo ser revelado.
A forma de continuar mantendo a mulher em condição de inferioridade e dependência sempre foi a não-valorização do trabalho intelectual feminino.
A mulher não tinha voz.
Suas palavras não eram ouvidas.
O que ela escrevia não era publicado.
Basta ver o pequeno número de trabalhos femininos aceito pelas editoras. Quantas vezes as mulheres tiveram que fazer uso de pseudônimos masculinos para publicarem seus trabalhos?
Por isso, não se pode negar o decisivo papel do movimento feminista, que, ao buscar a igualdade, acabou permitindo o acesso das mulheres à cultura. Foi a participação das mulheres no mundo das letras que lhes deu a oportunidade de falar so
Daí o enorme significado social da literatura produzida pelas mulheres a evidenciar a importância da Academia Literária Feminina não só para o panorama literário, mas também para o resgate da cidadania e da identidade das mulheres.
Essa importância permanece, pois as dificuldades subsistem até os dias de hoje, por isso a nossa Academia persiste com a missão de dar visibilidade às letras e à cultura.
Nossa tão dedicada presidente, Hilda Flores, não tem medido esforços para reformar a nossa sede. Reformulou os estatutos, de modo a criar novas categorias de associadas para emprestar ainda mais dinamismo à nossa entidade. Também foi ela quem agilizou o ingresso de novas acadêmicas, as quais vêm trazendo uma enorme contribuição à Academia, que busca mostrar à sociedade a imagem atual da mulher nas mais diversas áreas do saber.
Não só na literatura, mas em outros ramos do conhecimento, vem a mulher marcando sua presença, e esta nova bagagem é que tem emprestado um novo referencial à própria condição de mulher.
Assim é que hoje, com muita honra, a Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul dá posse a uma nova acadêmica que, já na condição de sócia efetiva, vem prestando relevantes serviços à nossa entidade.
A partir de hoje passa a ocupar a cadeira de nº 34 Eloá Muniz.
Professora da Área de Comunicação Social da ULBRA.
Mestre em Ciências da Comunicação pela UNISINOS.
Especialista em marketing político e empresarial e autora de o
Certamente não seria eu a pessoa mais indicada para apresentá-la a esta instituição, que tenho o privilégio de integrar. É que cabe à madrinha destacar os méritos profissionais, os atributos acadêmicos de sua afilhada, destacar sua produção científica e realçar a importância de seu trabalho. Mas prefiro referir o que tenho por mais significativo: a amizade que nos uniu.
O que mais cintila na pessoa da Eloá, o que encanta a todos, o que trouxe a todos os presentes nesta solenidade, em número tão significativo, é sua extrema afetividade - esse seu jeito dedicado e atencioso de ser, sua enorme capacidade de ouvir e de se doar, sem limites, de forma atenta e desprendida.
E é esta figura humana, sensível, que adentra hoje
Ela, que há tanto tempo me acompanha, que sonha todos os meus sonhos, vem, apesar de todas as dificuldades, com imensa dedicação fazendo o Jornal Mulher, um dos meus filhos mais diletos. É graças a ela que ele continua a existir.
Assim, é com muita emoção que apresento a esta entidade, da qual tenho o honra de ser uma de suas integrantes, a Eloá, amiga fiel de todas as horas.
Sejas bem-vinda, Eloá. Tens luz própria. Com teu entusiasmo, com teu dinamismo, com teu otimismo, com tua gana e com tua garra, vais iluminar a todas nós.