Não, não se trata de um erro de impressão.
O título de mais um volume desta coletânea é exatamente o direito das ?famílias?.
Família no plural, porque a família passou a ser um conceito plural. Não é mais constituída exclusivamente pelo casamento. Não mais serve para manter a mulher presa no recinto doméstico, para que o homem tenha certeza de que seus filhos são sangue do seu sangue.
Hoje, o que identifica uma família é o afeto, esse sentimento que enlaça corações e une vidas. A família é onde se encontra o sonho de felicidade.
A Justiça precisa atentar nessas realidades. O imobilismo é confortável. Não gera inquietações. Repetir o modelo que está aí, aceitar o que está posto como verdade possui outras vantagens: garante a aceitação geral, não suscita discussões, além do que, é claro, não dá o mínimo trabalho!
Maria Berenice Dias traz nesta coleção de palestras e artigos suas inquietações de magistrada sobre diversos temas. Sempre acreditou que é indispensável ter coragem de divulgar o que se pensa, a maneira mais eficaz para ensejar reflexões e suscitar discussões.
Esse é o único meio de tentar alcançar uma Justiça mais atenta à realidade da vida.
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CONVERSANDO SOBRE O DIREITO DAS FAMÍLIAS 2004
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